Dieta Cetogênica para o tratamento da Epilepsia
*DANTAS, R. P. M.
** CLAÚDIA SILVA LANA AREDES
*Aluno do curso de Biomedicina da Universidade Presidente Antonio Carlos – Campus Ipatinga.
** Professora do curso de Biomedicina da Universidade Presidente Antonio Carlos
RESUMO:
A epilepsia é uma condição neurológica grave, que atinge de 1% a 2% da população mundial, correspondente a um grupo de doenças que tem em comum crise epiléptica. Aproximadamente um terço dos pacientes com epilepsia evolui com crises epilépticas intratáveis com medicamentos, em alguns casos, é possível o tratamento cirúrgico. Nos pacientes em que cirurgia não é possível, a Dieta Cetogênica passa a ser uma opção terapêutica, principalmente em crianças, espera-se que esta terapia seja eficaz para pelo menos, um terço dos pacientes. Há uma quantidade de alimentos e preparo adequado para o uso da Dieta Cetogênica, apesar de ser rica em gordura, a dieta age de forma positiva no perfil lipídico dos pacientes. O planejamento da dieta é individualizado, seguindo-se recomendações para o consumo energético e proporções de gorduras, proteínas e carboidratos específicos. Sempre que introduzida a dieta, o paciente deve ser monitorizado, devido à possibilidade de efeitos adversos. Seu uso é indicado para crianças com dificuldades de tratamento e com elevado número de crises epilépticas de difícil controle que não respondem as medicações. Os resultados mostram que o período inicial, é bastante difícil, tanto para a criança como para toda a sua família.
Palavras-chave: dieta cetogênica, epilepsia, epilépticas, lipídico.
INTRODUÇAO:
A palavra "epilepsia" significa: "doença nervosa com manifestações ocasionais súbitas e rápidas entre as quais sobresaem convulsões e distúrbios da consciência", mas a palavra é derivada do grego, no qual significa uma condição de tornar-se dominado, apanhado ou atacado. A epilepsia é uma condição neurológica grave, que atinge de 1% a 2% da população mundial (S.T.S.P. AMORIM, 2002) Se caracteriza pela recorrência de crises epilépticas, mas a crise não é desencadeada por febre, drogas ou distúrbios metabólicos.
As causas da epilepsia são multifatoriais, as crises podem se originar de um tumor, má formação, ou conseqüência de um traumatismo no cérebro, seja com acidente automobilístico, ou decorrente de alguma dificuldade durante o parto, como falta de oxigenação ou lesão no cérebro do bebê (C.B. NONINO-BORGES, 2003). Vários receptores iônicos foram associados ao aparecimento de epilepsia, dentre eles a mutação no gene codificantes do canal de sódio faz com que ele fique aberto por muito tempo, gerando uma hiperestimulação. Com isso há uma liberação excessiva de glutamato, um neurotransmissor excitatório, e uma união com receptores glutaminérgicos em grande quantidade, o que leva a uma liberação anormal de Ca2+ no neurônio pós-sináptico. Mutações que levam a baixa produção ou ineficiência do GABA (ácido gama-aminobutírico), neurotransmissor inibitório, auxiliam também na maior excitabilidade das células neuronais(S.T.S.P. AMORIM). Com isso há descargas excessivas, súbitas e recorrentes no córtex cerebral.
O mecanismo para ocorrência da epilepsia é o seguinte:
Um insulto inicial, quando ocorre a ativação de canais iônicos e receptores de membrana, gera uma cascata de reações que resulta no acúmulo de glutamato e a elevação dos níveis intracelulares de cálcio, que modifica a expressão gênica e a síntese protéica. A partir dai ocorre a morte neural, necrose e apoptose, conjuntamente a um processo inflamatório, a neurogênese e a reorganização simpática. Após um período latente variável, crises espontâneas e recorrentes começam a ocorrer, o que caracteriza a epilepsia crônica.
Existem vários tratamentos para a epilepsia, com o objetivo de amenizar ou eliminar a ocorrência de crises epilépticas. Desde o inicio do século XX observou-se que pacientes epilépticos apresentavam melhor controle de suas crises, na presença de acidose metabólica induzida pelo jejum. Tiveram uma idéia então de uma dieta que simulasse as alterações bioquímicas associadas aos períodos de jejum, conhecida como dieta cetogênica.
A cetoacidose é um fenômeno que acontece quando as células do nosso organismo não conseguem utilizar a glicose como fonte de energia porque não há oferta ou ainda quando a glicose do sangue não é aproveitada (por falta de insulina), assim essas células vão utilizar as gorduras como fonte de energia. Como resultado, corpos cetonicos serão liberadas no sangue, o que o deixará ácido. No caso da dieta cetogênica é feito um controle alimentar causando uma cetoacidose induzida. Para isso a dieta começa com um jejum prolongado de 24 a 48 horas, tempo necessário para alcançar um estado cetogênico. Inicia-se, então, uma dieta com altíssimo teor de lipídeos e baixa proporção de carboidratos (massas, cereais, doces, farinhas, arroz, pães) e oferta de proteínas até 1g por kg de peso. Por exemplo, uma pessoa que pesa 60 Kg poderia comer no dia todo apenas 60 g de proteínas, se você não tem idéia de quanto é isso lembre-se que em um dia nós ingerimos diversos alimentos que possuem proteína como leite e derivados, carnes,peixes, verduras e leguminosas e apenas um bife de 130g de contrafilé grelhado já possui 57 g de proteínas. No geral, essas dietas seguem uma proporção de 4:1, ou seja, para cada 4 gramas de lipídios podem ser consumidas 1 grama de carboidrato + proteína. Assim, teríamos um cardápio repleto de maionese, creme-de-leite, óleos e gorduras vegetais, saindo completamente do padrão alimentar do brasileiro (o que traz uma enorme dificuldade de aceitação e adaptação à mesma) e também de uma recomendação de dieta equilibrada e saudável..Há crianças epilépticas que não respondem ao tratamento farmacológico, então foi descoberto que a adoção de dieta cetogênica nessas crianças causaria uma grande melhora principalmente na ocorrência de convulsões, em conseqüência a uma posterior adaptação do cérebro ao deixar de usar glicose como fonte de energia e passar a usar no lugar corpos cetonicos. Nesse caso o tratamento é feito com acompanhamento de uma equipe de profissionais da saúde, pois o estado prolongado de cetosi pode ser fatal.Toda alimentação com restrição de carboidratos faz com que o organismo passe a usar massa magra como fonte de energia, ocorrendo uma perda de peso não saudável. . Esta dieta permite uma adequada nutrição, que é necessária para o crescimento e funções normais do corpo.
CONCLUSAO:
O tratamento de epilepsias utilizando a DC como opção terapêutica ou alternativa mostrou-se de forma geral uma eficiência e eficácia principalmente sendo introduzida na proporção 4:1 reduzindo ou controlando as crises epilépticas em pelo menos partes dos pacientes. Os resultados mostram que o período inicial, é bastante difícil, tanto para a criança como para toda a sua família.
Referencias Bibliográficas:
http://www.epilepsy.com/
http://www.idmed.com
http://www.vivacomepilepsia.org
http://search.scielo.org/?q=dieta%20cetogênica&where=SCL
http://www.nutritotal.com.br/
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